Henrique e Cris Minato zouk

Morar fora do Brasil e se estabelecer como professor de zouk. Sonho? Que nada! Muitos profissionais da dança estão trilhando esse caminho e levando a nossa dança e a nossa cultura para os quatro cantos do planeta.

Referências não faltam. No passado, nomes de peso no zouk brasileiro, como Berg Dias, Braz dos Santos, Adilio Porto e Gilson Damasco, fizeram parte da primeira geração de bem-sucedidos desbravadores do zouk longe do território nacional. E a maioria deles continua morando na Europa, que reúne alguns dos países onde o zouk mais cresce no mundo.

Hoje, o mercado mudou, mas os sonhos continuam os mesmos. Acima de tudo, os professores querem popularizar o zouk e viver bem, com estabilidade e sem o fantasma da violência e da impunidade por perto.

Com nove anos dedicados à dança no Brasil, os professores Henrique Martins e Cristiane Minato (foto acima) se preparam para viver em Orlando, nos EUA, já nos próximos meses. A decisão foi tomada depois que a dupla já viajou bastante dando aulas e participando de Congressos na Europa e nos EUA. O vídeo a seguir foi gravado no Congresso de Los Angeles (EUA) em 2014.

A escolha não foi por acaso. “Sinto que a cultura brasileira está despertando a atenção dos americanos e, hoje, não existem profissionais de dança explorando ritmos como o zouk e o samba em Orlando”, afirma Martins. “É um grande desafio, que nos enche de energia e entusiasmo.”

Veja as dicas de quem já mora no Exterior

Alex de Carvalho e Mathilde dos Santos

Diretor de escola de dança conceituada no Rio de Janeiro e organizador do Congresso Ilha do Zouk, Alex de Carvalho se afastou dos negócios no Brasil no ano passado para viver em Paris. O motivo era nobre: ficar perto dos filhos, que se mudaram para a capital francesa em 2010.

“Queria estar mais perto da família e direcionar o futuro dos meus filhos em relação a estudo e valores”, afirma. Ele conta que a mudança foi lenta e gradual. A preparação começou em 2013, quando Carvalho começou a passar a direção da escola no Rio para o amigo Rafael Oliveira.

Hoje, sua realidade em Paris é bem diferente do que vivia no Brasil. Nesse primeiro momento, ele teve que deixar o lado empresário e administrador de lado para dar mais espaço ao Alex professor. “Tenho trabalhado bastante para ter mais estabilidade, porque, afinal, recomecei do zero.”

Os desafios nas aulas também são vários, a começar pela língua e cultura bem diferentes. “Os europeus são mais reservados e isso influencia diretamente no contato e na conexão de corpos”, comenta ele.

Para quem tem o sonho de viver de dança na Europa, Alex pede cautela e muita clareza antes de tomar a decisão final. “O nível de segurança, educação e saúde são diferentes, sim! Mas também não adianta largar o emprego no Brasil pra tentar uma vida passando por situações de humilhação por ser clandestino. É indispensável ter visto de trabalho ou de outra categoria.”

Segundo ele, todo o cuidado é pouco. “Hoje sou contratado, tenho o meu visto, mas vejo pessoas passando por situações de ameças de concorrentes despreparados ou aceitando empregos informais para garantirem seu dia a dia.”

Atualmente, além das aulas, Alex vem fazendo vários trabalhos com a francesa Mathilde dos Santos (foto). Um dos mais bacanas foi a gravação do videoclipe abaixo, da música “À Toa”, sucesso na voz da cantora Lisa Li.