Ontem, postei aqui meus comentários sobre uma reportagem publicada no jornal O Globo a respeito do documentário “Zouk: a dança do amor”, dirigido pelo holandês Wilco de Groot. Poucas horas depois, o próprio diretor liberou a obra na íntegra em seu canal do YouTube. Confesso que estranhei, já que o documentário ainda não foi lançado comercialmente em muitos países. Hoje, voltei a procurá-lo e já não estava no ar. Por sorte, tive tempo de assistir atentamente ao longa, que dura 89 minutos.

Durante esse tempo, Groot acompanha o dia-a-dia de quatro pessoas em diferentes cantos do mundo que têm uma coisa em comum: a paixão por dançar zouk. Claudio Gomes é um brasileiro que deu aulas de zouk na Holanda, mas retornou ao Brasil antes de colher os frutos de seu trabalho. Por sorte, sua ex-namorada Claudia continuou o projeto com muito sucesso (e tudo isso é mostrado no vídeo, incluindo o reencontro dos dois na Europa e a homenagem que o professor recebe de seus amigos e ex-alunos).

O oriental Kwok Wan também está entre os protagonistas. Ele foi um dos primeiros alunos de Claudio na Holanda e encontrou no zouk a força para lutar contra o preconceito (ele é muito baixo) e a chave para a paz e a felicidade. Resultado: tornou-se professor. A americana Shannon Hunzicker é a mais doidinha. Largou seu emprego e estabilidade em Nova York para viajar pelo mundo seguindo o roteiro dos Congressos de Zouk. Durante o documentário, acompanhamos as peripécias da jovem pela Europa e pelo Brasil. Por aqui, ela marca presença nos Congressos de Porto Seguro e do Rio de Janeiro no início de 2011.

A parte que mais gostei tem como protagonista o professor Gilson Damasco. Simpático, talentoso e muito educado, ele mostra no vídeo um lado que poucos conhecem. Dá detalhes de sua infância (quem diria, ele queria ser jogador de futebol e só não levou o sonho adiante por conta das convicções religiosas da mãe), conta como conheceu a belíssima russa Natasha Terekhina (sua parceira atual/veja os dois na foto acima), apresenta sua família (que vive no interior de São Paulo) e sua rotina na escola onde dá aulas na Holanda (ele já mora no país há alguns anos) e viajando pelo mundo como renomado professor de zouk.

Mas o vídeo enche mesmo de emoção quando ele fala dos anos em que viveu na Argentina, onde foi o grande precursor do lambazouk. E logo aparecem fotos de Gilson dançando com Romina Hidalgo, ainda criança, com apenas oito aninhos. A transparência da amizade dos dois fica evidente no vídeo e conquista o espectador, que tem a chance de vê-los juntos no primeiro Congresso de Zouk de Buenos Aires em 2011.

Apesar de longo, o documentário merece ser visto e revisto. Em primeiro lugar, pelo seu valor histórico, de ser o primeiro falando de zouk com tanto amor, paixão e sensibilidade. Em segundo, por mostrar como essa dança pode transformar as pessoas. E também por revelar os segredos desse ritmo tão fascinante que está conquistando adeptos nos quatro cantos do mundo. Uma única crítica: a cidade de São Paulo não recebeu o carinho que merece na edição. Mas, enfim, nem tudo pode ser perfeito e a iniciativa do diretor é mesmo louvável.

Que todos nós, como os protagonistas de “Zouk: a dança do amor”, possamos encontrar no zouk a transformação de nossas vidas. Eu, por exemplo, já encontrei!